O que é o NovaCookies?

O NovaCookies é um kit de phishing do tipo Adversary-in-the-Middle (AitM), comercializado como serviço de Phishing-as-a-Service (PhaaS). A ferramenta funciona como um intermediário entre a vítima e a página real de login da Microsoft, capturando credenciais, códigos de autenticação multifator e, principalmente, a sessão autenticada do Microsoft 365.

Segundo pesquisadores, o serviço é vendido por aproximadamente US$ 320 por mês e já foi utilizado contra organizações nos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Israel e Emirados Árabes Unidos. A Proofpoint avalia que o NovaCookies é uma variante do kit de phishing Sneaky 2FA.

O diferencial do ataque está na combinação de três elementos que normalmente transmitem confiança:

  • Uma notificação real do DocuSign.

  • Redirecionamentos que passam por serviços legítimos da Microsoft ou do Google.

  • Uma página falsa de login exibida somente no estágio final da navegação.

Na prática, o e-mail inicial pode ser legítimo, mas o documento compartilhado por meio dele contém a isca maliciosa.

Como funciona o golpe

1. A vítima recebe um e-mail real do DocuSign

A campanha começa com uma notificação legítima do DocuSign, geralmente relacionada ao compartilhamento ou à assinatura de um documento.

A mensagem pode informar que o departamento financeiro ou a contabilidade enviou um PDF de pagamento, aviso de cobrança ou documento semelhante. Como o e-mail foi realmente enviado pela plataforma, ele pode passar pelas verificações tradicionais de autenticidade do remetente.

Isso significa que SPF, DKIM e DMARC podem confirmar que a mensagem foi enviada por uma infraestrutura autorizada do DocuSign. Porém, esses mecanismos não validam automaticamente se o conteúdo do documento é seguro.

Esse é um ponto importante: um e-mail autêntico não é necessariamente um e-mail seguro. Uma plataforma legítima pode ser abusada para distribuir conteúdo malicioso ou induzir o usuário a acessar uma página fraudulenta.

Em vez de colocar o link diretamente no corpo do e-mail, os criminosos inserem a URL dentro do documento compartilhado pelo DocuSign.

A isca pode simular um aviso de pagamento ou um documento enviado pela área financeira. Ao abrir o PDF, a vítima encontra um botão ou link que promete visualizar o conteúdo, acessar o arquivo ou concluir uma etapa de assinatura.

Esse método explora uma limitação comum dos gateways de segurança: muitos produtos inspecionam o remetente, o assunto e o corpo da mensagem, mas não analisam completamente todos os elementos incorporados em documentos hospedados por serviços legítimos.

O conteúdo malicioso, portanto, aparece abaixo da primeira camada de inspeção.

3. O navegador passa por redirecionamentos confiáveis

Depois do clique, a vítima pode ser encaminhada por uma sequência de URLs que parecem pertencer à Microsoft ou ao Google antes de chegar à infraestrutura controlada pelos atacantes.

A cadeia também pode abusar do tratamento de erros em fluxos OAuth. Em março de 2026, a Microsoft descreveu campanhas que exploravam redirecionamentos acionados por erros de autenticação para conduzir usuários de endpoints legítimos até domínios controlados por criminosos.

Esse mecanismo dificulta a detecção porque cada etapa, isoladamente, pode parecer normal:

  1. O e-mail veio do DocuSign.
  2. O documento está hospedado em uma plataforma conhecida.
  3. O navegador acessa um domínio legítimo de identidade.
  4. A página final é idêntica ao login do Microsoft 365.

O navegador, entretanto, é o ponto em que todos esses eventos se conectam.

4. O NovaCookies atua como proxy em tempo real

Na etapa final, o NovaCookies apresenta uma página falsa de login do Microsoft 365. A vítima acredita estar acessando o portal verdadeiro e insere o nome de usuário, a senha e o fator adicional de autenticação.

O kit encaminha essas informações para a Microsoft em tempo real, enquanto acompanha o processo de login. Dessa forma, o criminoso consegue observar a autenticação e capturar os dados da sessão emitida após a validação.

O ataque não precisa necessariamente “quebrar” a MFA. Ele pode usar a própria autenticação legítima da vítima para obter uma sessão já validada.

5. A sessão autenticada é capturada

Após a conclusão do login, o NovaCookies captura o token ou cookie associado à sessão autenticada e pode reutilizá-lo para acessar recursos do Microsoft 365.

Esse tipo de comprometimento é particularmente perigoso porque uma senha alterada depois do incidente pode não ser suficiente para encerrar todas as sessões já estabelecidas. Dependendo da configuração do ambiente, os invasores podem tentar acessar e-mail, arquivos, SharePoint, OneDrive, Teams e outros serviços associados à identidade comprometida.

Por isso, a resposta deve incluir a revogação das sessões e dos tokens, além da redefinição das credenciais e da investigação dos recursos acessados.

Por que a MFA não foi suficiente?

A autenticação multifator continua sendo uma camada essencial de proteção, mas nem todos os métodos de MFA oferecem a mesma resistência contra phishing.

Em um ataque AitM, o usuário não está apenas digitando suas informações em uma página falsa. Ele está sendo conduzido por um proxy que retransmite a autenticação para o provedor real e quando a vítima aprova a MFA, o atacante pode capturar a sessão autenticada resultante.

A diferença pode ser entendida assim:

CenárioO que pode acontecer
Phishing tradicionalO criminoso captura a senha e tenta usá-la depois.
Phishing AitMO criminoso acompanha o login em tempo real e captura a sessão autenticada.
MFA baseada em códigoO código pode ser retransmitido pelo proxy durante o login.
MFA resistente a phishingO autenticador verifica a origem legítima do serviço antes de autorizar.

Passkeys e chaves de segurança baseadas em FIDO2 são mais resistentes porque vinculam a autenticação ao domínio legítimo. Em vez de confiar apenas em uma senha ou código que pode ser retransmitido, esses métodos usam uma credencial criptográfica associada à origem do serviço.

Como proteger o Microsoft 365

Adote autenticação resistente a phishing

Sempre que possível, substitua métodos mais vulneráveis, como SMS e códigos OTP, por:

  • Passkeys.

  • Chaves físicas FIDO2.

  • Windows Hello for Business.

  • Outros autenticadores compatíveis com WebAuthn e FIDO.

A MFA tradicional é melhor do que não utilizar nenhuma camada adicional, mas não deve ser considerada uma proteção absoluta contra ataques AitM.

Configure o Acesso Condicional

As políticas do Microsoft Entra ID devem considerar mais do que o simples fato de o usuário ter concluído a MFA.

Avalie a exigência de:

  • Dispositivo compatível e gerenciado.

  • Localização e faixa de IP esperadas.

  • Nível de risco do usuário e do login.

  • Aplicativos autorizados.

  • Sistema operacional e navegador.

  • Reautenticação para operações sensíveis.

  • Bloqueio de protocolos e aplicações legadas.

Também é importante restringir o consentimento de usuários a aplicações OAuth desconhecidas e revisar regularmente os registros de aplicativos e suas URLs de redirecionamento.

Monitore sessões e tokens

A equipe de segurança deve acompanhar sinais de uso anômalo, como:

  • Login seguido de atividade a partir de outro país ou provedor de hospedagem.

  • Acesso simultâneo por endereços IP incompatíveis.

  • Download elevado de arquivos após uma autenticação.

  • Criação de regras suspeitas na caixa de entrada.

  • Consentimento para aplicativos desconhecidos.

  • Alteração de métodos de autenticação.

  • Inclusão de novos dispositivos ou sessões.

  • Tentativas de acesso a SharePoint, OneDrive e Exchange fora do padrão.

O Microsoft Defender, o Microsoft Entra ID e o Microsoft Sentinel podem ser combinados para centralizar esses sinais e acelerar a investigação.

Proteja o fluxo de documentos

O treinamento dos colaboradores deve abordar também notificações verdadeiras de plataformas como DocuSign, OneDrive e SharePoint.

Oriente os usuários a:

  • Não confiar automaticamente em um remetente conhecido.

  • Conferir o contexto do documento antes de clicar.

  • Desconfiar de cobranças e pagamentos inesperados.

  • Abrir o serviço diretamente pelo navegador ou aplicativo oficial.

  • Verificar o domínio exibido na barra de endereço.

  • Evitar inserir credenciais após uma sequência incomum de redirecionamentos.

  • Reportar documentos inesperados ao time de segurança.

Uma regra simples pode ajudar: se o documento envolve pagamento, alteração de dados bancários ou autenticação urgente, confirme a solicitação por um canal independente.

Prepare um plano de resposta

Se houver suspeita de roubo de sessão, a empresa deve agir rapidamente:

  1. Bloquear ou suspender a conta comprometida.
  2. Revogar sessões, tokens e sessões persistentes.
  3. Redefinir a senha e revisar os métodos de autenticação.
  4. Remover aplicativos OAuth desconhecidos e revisar consentimentos.
  5. Investigar regras de encaminhamento e alterações na caixa de correio.
  6. Verificar acessos ao SharePoint, OneDrive, Teams e Exchange.
  7. Procurar mensagens enviadas pelo invasor ou movimentação lateral.
  8. Avaliar possíveis fraudes financeiras e comunicação com clientes ou parceiros.
  9. Preservar logs, URLs, cabeçalhos e evidências para análise.

A simples troca da senha pode não eliminar o acesso se uma sessão roubada ainda estiver válida.

O que o NovaCookies ensina sobre segurança?

O caso mostra por que a segurança de identidade não pode depender de uma única camada de defesa.

O e-mail pode ser legítimo, o domínio pode ter boa reputação, o MFA pode ser concluído corretamente. Ainda assim, a sessão pode ser interceptada quando a autenticação ocorre por meio de uma infraestrutura controlada pelo atacante.

A defesa precisa combinar:

  • Autenticação resistente a phishing.

  • Políticas de acesso condicional.

  • Proteção de navegador e endpoint.

  • Monitoramento de identidade.

  • Análise de sessões e tokens.

  • Segurança de aplicações OAuth.

  • Treinamento baseado em cenários reais.

  • Resposta rápida a incidentes.

Esse modelo reduz a dependência de uma única tecnologia e amplia a capacidade de detectar comportamentos anômalos depois que o usuário conclui o login.

Sua empresa está protegida contra o NovaCookies?

Ataques como o NovaCookies mostram que o criminoso não precisa necessariamente falsificar toda a comunicação. Ele pode explorar a confiança que as empresas já depositam em serviços de assinatura eletrônica, plataformas de colaboração e provedores de identidade.

A KeepIt ajuda empresas a fortalecer a proteção do Microsoft 365 com monitoramento ativo, segurança de identidades e uma arquitetura defensiva orientada à detecção e à resposta.

Não espere um incidente para descobrir se uma sessão comprometida ainda permite acesso aos dados corporativos. 

Fale com nosso time e avalie a maturidade da proteção do seu ambiente Microsoft 365.